Gruta da Ervideira

"Viagem ao centro da Terra"

Espeleologia
O espeleólogo e o seu material
Material de progressão Vertical
Técnicas de Progressão
A espeleologia é o estudo das cavernas. Por trás dessa definição simples esconde-se uma actividade que vai muito além das discussões científicas. É possível enquadrá-la numa nova modalidade, a da ciência- desporto. Ciência porque, quem se aventura pelas entranhas do planeta descobre, aprende e explora. Desporto porque a espeleologia exige do praticante uma preparação física e técnica digna de qualquer actividade desportiva. Sendo assim, a espeleologia pode passar a chamar-se de Cavernismo.

Existem dois tipos de campo para este desporto - ciência: as cavernas, que são horizontais - as chamadas grutas; e os abismos, que são verticais. Nos dois casos, uma série de obstáculos são encontrados e determinam o conhecimento técnico e equipamento, a ser utilizado.

Farpela:
A roupa do espeleólogo dependerá do tipo de actividade a realizar, mas basicamente constará de uma peça interior que isole o frio e a forte humidade ambiental, mantendo o corpo com uma temperatura agradável e um fato exterior que o proteja da agressão extrema (água, barro e o roçar nas rochas).

Porém como o meio que o indivíduo vai atravessar é muito variável, existindo cavidades mais ou menos frias, com mais ou menos água ou mais ou menos poços, etc, não será fácil encontrar o equipamento adequado que sirva para todas as necessidades. Assim, mesmo antes de decidir, deverá ter em conta as seguintes considerações:

· Tipo de Cavidade

· Altura e região onde se encontra

· Estação do ano

· Tempo de permanência previsto

· Existência ou não de água

Roupa Interior:

Deve ser cómoda, hidrófuga (permitindo que o corpo possa suar), térmogena, fácil de lavar e de pouco peso. As peças mais usadas são confeccionadas com tecidos sintéticos com termóstato ou Polartec, fabricados em fatos de uma peça só.

Deve-se também evitar o excesso de agasalho quando está frio no exterior porque dentro da cavidade, quando se começa a movimentar, o corpo começará a suar e gera-se uma situação de desconforto.

A transpiração, a capacidade de afastar o suor da pele e as excelentes propriedades térmicas em relação ao peso, são as principais virtudes dos tecidos sintéticos, face aos mais naturais como o algodão, que é muito agradável ao tacto, mas empapa-se rapidamente com o suor e seca lentamente, desenvolvendo uma sensação de frio. Com um bom forro polar, é seguro que mesmo após demorado contacto com a água, ao sair da gruta estará praticamente seco e quente.

Roupa Exterior:

Deve oferecer resistência aos roços, ao desgaste e ao rompimento, deve ser cómoda, não demasiado rígida, impermeável e transpirável. Encontrar isto tudo numa só peça é complicado, pelo que haverá que escolher entre as várias peças que existem.

Em grutas pequenas e sem água basta um fato de algodão ou termal, mas quando se vai para algo de maior envergadura terá que se pensar em utilizar fatos de Nylon ou oleado. A vantagem dos fatos de Nylon, apesar de não serem de todo impermeáveis, é serem bastante cómodos, secarem rápido e deixarem sair parte do calor que se produz quando estamos em movimento. Os fatos de oleado, fabricados em Poliester plastificado com PVC ou Poliuretano são impermeáveis e mais resistentes, mas não deixam transpirar nada, produz no interior uma forte condensação, sendo este tipo de material utilizado em cavidades muito frias, onde haja cascatas ou fortes correntes dear.

· Independentemente do tipo de tecido, devemos ter em conta uma série de detalhes:

As costuras devem estar soldadas e não cozidas;

Ter menos bolsos;

O fecho de Velcro, deve ser largo para que se possa realizar movimentos extremos;

Tecido suave, flexível e resistente à abrasão;

Meias:

A lã tem dado um bom resultado em cavidades frias, mas hoje em dia está a ser substituído por fibras sintéticas. Em cavidades com água vai-se bem de botas de neopreno.

Botas:

As mais utilizadas são as de médio cano de borracha, para evitar que entre a água para o interior quando se passa em zonas inundadas. Deve-se por a perneira por cima das botas, prendendo com uma tira de borracha.

Luvas:

A função principal é de proteger as mãos da abrasão da rocha e do roçar na corda durante as descidas.

Existe uma perda considerada do tacto, mas convém levar e são inclusive imprescindíveis em alguns lugares.

Peças mais especificas:

Nas grutas com muita água, veste-se um fato de neopreno, esta peça é cada vez mais usada, porque evita o incómodo do transporte de outros materiais pneumáticos para o interior da gruta. Utiliza-se com uma grossura que varia entre 3 a 5 mm, os mais grossos acabam por ser incómodos depois de sair da água, ao avançar por galerias secas será preciso proteger o fato de neopreno dos roços, então, leva-se por cima um fato de Nylon.

Iluminação e acessórios:

A iluminação é a parte mais importante do equipamento de um espeleólogo, uma boa luz levará ao primeiro contacto com o escuro, actividade é uma experiência grata e surpreendente, o ideal será contar com o seguinte:

· Sistema de iluminação misto composto por luz eléctrica e acetileno fixo ao capacete.

· Gerador de acetileno à pressão colocado na cintura para deixar as mãos livres.

· Sistema de luz rápido e que não seja afectado pela água ou pela humidade.

A luz principal é a que proporciona a chama produzida pelo carbureto. A eléctrica é só utilizada em situações mais concretas e de emergência, quando as reservas de carbureto estão a esgotar-se ou surge alguma avaria no sistema, necessitará de um foco de luz mais frontal, este também servirá para ver as zonas profundas.
Vejamos cada um dos elementos que compõem um sistema de iluminação.

Capacete:

Sobre ele irá fixado o sistema de iluminação, com ele podemos andar na escuridão das grutas.

É um dos elementos mais importantes do equipamento de um espeleólogo. Não só protege da queda de pedras, que por vezes se desprendem dos poços, como evita partir a cabeça ao sair das fendas ou dos meandros estreitos.

A maior parte dos capacetes é fabricada em termoplástico ou resinas de Polister e reforçados com fibras de vidro. Antes de adquiri-lo devemos ter em conta:

· Que tenha sido desenhado para o uso da espeleologia.

· Que seja ligeiro, compacto e tenha boa ventilação.

· Que tenha um bom sistema de regulação para o ajuste prefeito à cabeça.

· Que este seja homologado pela U.I.A.A., pois só estes superam os duros impactos ou a penetração de objectos pontiagudos.

Gasómetro (Carbureto):

O gasómetro de acetileno, é um aparelho que, para funcionar, necessita de pedras de carbureto (C2Ca), um composto que não se encontra na natureza, para se obter terá que ser fabricado num forno de altas temperaturas (2000º - 3000ºC), com cal e carbono. Ao pôr-se em contacto com a água, produz gás inflamável em presença do oxigénio.

Depois de decompor-se, o carbureto converte-se em hidróxido de cálcio, um resíduo que danifica e afecta o meio subterrâneo, não se deve abandonar no interior das cavernas para não alterar o seu frágil ecossistema.

Independentemente das marcas, existem vários tipos de gasómetros: goteira, alta pressão e de bombear. Todos têm um compartimento inferior (B), onde se põem as pedras de carbureto e outro superior (A) onde se mete água.

O funcionamento é simples. Uma vez introduzidas as pedras no depósito inferior, este fecha-se enroscando-se em cima o depósito de água. Basta conseguir uma perfeita união para que o gás se vá formando, não deve escapar pela junta. Uma carga de 300g de carbureto (2/3 de capacidade do depósito), em pedaços não muito grandes, nem muitos pequenos, pode dar para 5 a 6 horas de boa luz.

Qual a diferença dos três tipos de gasómetros?

De goteira:
 

Ao abrir a torneira de água (1) esta cai por gravidade no depósito inferior (B).

· Em ambos os depósitos existe a mesma pressão e estão ligados à torneira da regulação de água.

· As pedras, ao entrar em contacto com a água, produzem acetileno e este gás sobe pelo tubo.

· O gás que sai pelo tubo (C) dirige-se para cima até ao capacete e nele conseguimos a chama que precisamos.

· Pela torneira (1) e pela tampa de entrada de água (2) existe perda de água e de gás que devemos evitar ao máximo.

De Auto Pressão:

Tendo sido modificadas as tampas por onde escapava a água e o gás, teve que se adaptar um tubo de compensação para que o gasómetro funcionasse.

· Sem este tubo (3) a pressão do depósito inferior seria maior que a pressão hidrostática que faz cair a água gota a gota pela gravidade. Então quando se abria a torneira de água, esta não caía.

· Com o tudo de compensação, há água no depósito inferior graças à mesma pressão, do gás e hidrostática.

· A torneira de entrada de água (1) teve uma importante modificação. Está preparada para que só deixe sair o gás, quando haja pressão muito alta de acetileno no interior do gasómetro.

· A tampa de entrada (2) não tem abertura, pois não é necessário que entre ar do exterior.

Vimos como se obtém acetileno, o gás que se necessita para obter uma boa luz nas cavidades. Depois de termos iniciado o caminho da cintura, onde colocado o carbureto, até ao capacete, neste levamos uma peça mais ou menos complexa a que chamamos Frontal.

A união entre as pilhas e o frontal é feita através de um tubo de borracha de 12mm de diâmetro.

Frontal:

Para se iniciar neste desporto pode-se desenhar sistemas caseiros, mas o ideal é poder contar com qualquer dos sofisticados sistemas de iluminação mista que se encontra no mercado.

Dos que fabrica a marca Petzl, nas suas diferentes versões (Mistos, LASER, DUO/ACETO), os que se usam mais vezes são os que se mostram afeiçoados, cómodos e fortes. Com ligeiras modificações, um bloco completo consta de:

· Suporte de conjunto em duralumínio.

· O suporte das pilhas e carcaça da lanterna em ZYTEL.

· Suporte da boquilha de ligação em latão.

· Parábola reflectiva

· Isqueiro

Tudo vai fixado no capacete com parafusos: o porta pilhas na parte traseira e o resto do bloco (iluminação eléctrica e de acetileno) à frente.

No modelo antigo (MISTOS), a lanterna acende-se com um interruptor acoplado ao lado do projector e, nos mais modernos, (LASER e DUO) roda-se o foco. O modelo DUO possui duas lâmpadas, uma de halogéneo e uma standard para maior segurança.

Obter luz de acetileno resulta bastante porque leva instalado um isqueiro piezoeléctrico de inflamação que, ao girar para a frente, produz faíscas que incendiam o gás.

A boquilha por onde sai a chama é composta por uma simples rosca. Têm um cabo de aço incorporado que serve para desentupir.

Os porta pilhas incorporado na traseira do capacete, nos modelos mistos e Laser, leva uma pilha de 4,5v e o DUO, 4 pilhas de 1,5v.

Alguns concelhos :

· É conveniente levar sempre lâmpadas suplentes, boquilhas e tampa do depósito de água. São pequenas peças que não custa nada levar e que podem salvar de um apuro.

· Levar um saco de plástico para, se necessário, purgar dentro da gruta.

· Limpar o gasómetro sempre que se sai da cavidade, deixando umas pequenas pedras dentro deste para uma próxima saída. Se não se limpar no prazo razoável de tempo pode originar danos irreparáveis ao conjunto já que se soldam ambos os depósitos. Ao tentar separar estraga-se a rosca.

· Tirar as pilhas se não prevê saída nas próximas semanas.

· Deve-se deixar vazio 1/3 do depósito das pedras já que o carbureto explode quando reage com a água.

· Em galerias inundadas de tecto baixo deve vigiar-se o funcionamento do gasómetro já que qualquer fuga pode ser perigosa. Em caso de dúvidas deve apagar-se a chama.

· O carbureto deve ir em mangas de câmaras de ar fechada em ambos os lados.

· Enquanto se limpa o gasómetro deve-se ter a preocupação de não haver nenhuma chama que possa inflamar o gás que sai do depósito.

Material de Progressão vertical
   
 
Arnês
 

· O arnês (também chamado Baudrier ou cadeira) que se usa em espeleologia tem que ser cómodo, porque se pode permanecer pendurado muito tempo. O ponto de encaixe na corda está um pouco mais baixo do que os outros usados em escalada para quando se muda de uma corda fixa para outra, o bloqueador trabalhe perfeitamente. Para compensar este desequilíbrio tem que se utilizar um arnês de pecho para que mantenha o corpo do espeleólogo o mais vertical possível. Um bom arnês deve reunir uma série de importantes requisitos:

· Ponto de encaixe robusto e fiável

· Sistema de regulação cómodo e rápido

· O menor número de costuras possíveis

· Cintos para levar colocado o material

O arnês têm que ser bem ajustado, se possível em excesso, antes de nos colocarmos na vertical.

O barro deteriora o arnês logo deve-se lavar com água depois de cada saída, deixando secar à sombra. Verificar cuidadosamente se as cintas e costuras estão em perfeito estado.

Demiron:

· Um mosquetão normal para fechar o arnês seria insuficiente e perigoso em espeleologia porque em alguns momentos, com movimentos bruscos, se poderia partir.

No arnês deve levar-se um demiron de 10mm com fecho de rosca. O fabrico é em aço inoxidável, aço zincado ou Zycral. Os de aço tem uma carga de suporte superior aos de Zycral (4.000/5.200Kg) porém deformam-se com maior facilidade. Os de Zycral pesam menos mas desgastam-se com o roçar das peças. Suportam 1.750Kg.

A rosca deverá ir sempre por baixo. Sobre o demiron irão montados o Croll, o Descensor, a enérgica, o travão e as fivelas do arnês.

Maillones mais finos (Delta) servem para prender o pedal ao punho e o croll ao torce.
Às vezes as roscas dos maillones não se conseguem fechar ou desapertar. Para estas ocasiões será útil levar um alicate ou uma chave inglesa.

Enérgica:

A enérgica utiliza-se para segurar o punho e para passar os fraccionamentos.
Tem que ter duas pontas de diferentes tamanhos (de 30 a 50cm). Podem-se construir com uns 3m de fita ou de cabo dinâmico de diâmetro de 9mm no mínimo. Num dos extremos vai preso ao demiron, a ponta mais curta leva um mosquetão que serve para os fraccionamentos e na ponta mais comprida, na descida, põe-se o shunt e na subida o punho.

Bloqueadores:

São aparelhos metálicos construídos sobre ligação ligeira que, postos numa corda, deslizam suavemente num só sentido. O seu aparecimento revolucionou as técnicas de subida de poços, sem grandes esforços na progressão por corda. Dependendo do uso podem-se separar em dois grupos.

· Para subida: Croll, punho, básic, gibbs

· Para descida: Shunt.

Croll:

O croll é um aparelho constituído por uma peça com dois buracos nos extremos e um gatilho que move uma peça dentada. A sua forma plana e anatómica permite que se adapte perfeitamente ao corpo, preso ao demiron por em extremo e ao torse no outro. Para fixar na corda é preciso abrir o gatilho por a corda e fechar para não sair.

O croll sobe sem prender quando não se faz peso sobre ele, quando nos penduramos, bloqueia tem uma série de dentes que evitam desagradáveis deslizamentos quando se está pendurado na corda.

Não se consegue desbloquear se não libertamos totalmente o peso de cima da peça. É um aparelho prefeito para a progressão com cargas estáticas, porém parte a corda antes de atingir os 500Kg.

Punho:

É um sistema de bloqueio idêntico ao croll porém tem uma forma diferente, adaptado para o uso que se vai dar, tem uma cómoda empunhadura de plástico. No orifício inferior leva preso um amillón oval de 7mm onde se prende. Nesse maillón fixa--se o cabo mais comprido da enérgica. Desta forma, em caso de quebra do croll, ficávamos pendurados pelo punho.

O tamanho correcto do pedal obtém-se mantendo o pé no "estribo" e levando o punho um pouco acima do croll. Tem que se ser exigente com a medida para que não se gaste energia inutilmente. O punho parte a corda antes de chegar aos 600Kg.

A marca Petzl pôs no mercado um modelo (PompeB-10), que é constituído pelo punho e um pedal regulável com 2 roldanas de reenvio. Um dos extremos do pedal prende-se ao croll e cada vez que se exerce pressão com a perna aproxima-se automaticamente do punho.

Descensores:

Existem 2 tipos:
· De deslizamento contínuo
· De autobloqueio

O mais utilizado é o descensor de deslizamento contínuo. È feito de duas platinas de duralumínio e de duas roldanas fixas onde a corda desliza. A posição da corda no descensor permite controlar a velocidade da descida sem grande esforço. Uma das platinas é basculante, para que se possa introduzir a corda. Para não se abrir tem uma patilha de segurança.

O descensor deve ir fixo no demiron com um mosquetão com segurança. O travão (mosquetão de aço) permitirá controlar comodamente a descida, regulando a velocidade em função do ângulo de ataque (a) quanto maior for o ângulo mais difícil será travar o descensor.

O descensores autobloqueadores (STOP) tem uma alavanca de segurança que bloqueia quando se tira as mãos. Para descer tem que se apertar a alavanca completamente e não adicionar as medidas para regular a velocidade.

Pode-se utilizar como um descensor normal adicionando um mosquetão e pode-se inutilizar a alavanca de travão.

Em alguns momentos (passar fraccionamentos, pêndulos, instalações de Spits…) necessita-se ter as mãos livres, para isso será preciso fazer um nó de segurança. Para desbloquear é preciso segurar com a mão esquerda a corda que vem de cima contra o descensor. Com a outra mão desmancha-se o nó.

São aconselhado em grandes descidas outros modelos de descensores: RACK e RATELIEL. Têm várias barras movíveis por onde passa a corda. Quanto mais se juntam mais lento fica a descida.

Mosquetões:

Em cada actividade com verticais cada espeleólogo deverá contar com pelo menos meia dúzia de mosquetões para uso pessoal: 2 para a enérgica, um com segurança e outro sem; 2 para o descensor, um com segurança e outro de aço; 1 para o gasómetro; 1 para a bolsa do material de equipamento.

Cordas:

Uma vez que são constituídas com materiais naturais (Cânhamo e Algodão) deve saber-se que nem todas as cordas existentes no mercado servem para a prática da Espeleologia. Dependendo do uso que se vai dar utilizam-se cordas estáticas ou dinâmicas.

As cordas dinâmicas são mais elásticas para amortecer possíveis caídas. São usadas habitualmente em escalada e na espeleologia só se utiliza para certas situações, para quando se tem que escalar para explorar galerias suspensas.

Mosquetões:

Em cada actividade com verticais cada espeleólogo deverá contar com pelo menos meia dúzia de mosquetões para uso pessoal: 2 para a enérgica, um com segurança e outro sem; 2 para o descensor, um com segurança e outro de aço; 1 para o gasómetro; 1 para a bolsa do material de equipamento.

Técnicas de Progressão
   
 
Cavidades horizontais
 

O avanço neste tipo de cavidades não apresenta problemas de grande importância, apenas nos limitamos a dar uma série de conselhos básicos:

· Em galerias baixas ou as passagens estreitas deve evitar-se fazer movimentos bruscos, pois é normal bater com o capacete, ou com a cara no tecto, nas paredes ou mesmo em concreções.

· Em grandes salas deve-se caminhar sempre que possível, por um lugares balizados ou pelas marcas de visitas anteriores. Isto porque quando vai um grupo numeroso tem que se tentar não danificar nada.

· Quando existe rampas, deve-se avançar em diagonal para que não haja qualquer possibilidade de soltar pedras e atingir algum companheiro.

· Ao transitar-se por zonas instáveis, cada passo que se der, tem que ser calcular outro alternativo, devido ao caso de se poder soltar alguma pedra.

· Em passagens estreitas descendentes, deve-se entrar sempre com os pés à frente, porque se tiver que recuar em alguma ocasião será menos complicado.

· Em lugares expostos deve-se levar a luz eléctrica acesa porque a chama do gasómetro pode-se apagar com um movimento brusco e na mais completa escuridão poderia ser perigoso.

· Em diacláses e meandros mais ou menos estreitos, deve-se ir caminhando em oposição com pernas e braços à meia altura. Quando as partes inferiores se estreitam pode oferecer dificuldades na progressão, deve-se ter cuidado. Não se podendo ir em oposição comodamente, deve avançar-se procurando os passos mais fáceis utilizando os braços, cotovelos, joelhos e o que mais se puder com muito cuidado, para não se cair para a fenda, porque seria muito difícil sair. O melhor é estudar detalhadamente cada situação antes de se fazer qualquer movimento.

· Para superar as passagens estreitas e buracos, só é preciso calma. Se passam os ombros, passa o resto do corpo. Ambos os braços à frente torna demasiado largos os ombros, o melhor é levar um braço à frente e o outro atrás. Empurrando com as pernas, uma vez passados os ombros, passa-se o resto do corpo.

· Para subir meandros trepando, o melhor é estudar detalhadamente cada situação antes de se fazer qualquer movimento. Não há normas fixadas. Em algumas ocasiões terá que se tirar o capacete para se passar.

Cavidades verticais:
Manobras para descer:

Uma vez já fixado à corda da vertical de um poço, procederemos à instalação do descensor.

Uma das mãos vai agarrar a alavanca do descensor autobloqueador e a outra junto à coxa segurando a corda por onde se vai descer. Com esta regula-se a velocidade. Apoia-se os pés se existir parede, deve-se fazer V com as pernas para se ter melhor equilíbrio na vertical. Há bastante tendência, sobretudo ao princípio, de se apoiar os joelhos na parede. Há que evitar os saltos e evitar descer demasiado rápido porque aquece demais o descensor.

Se queremos travar só temos que, com a mão que regula a descida, fazer um breve bloqueio no descensor.

Se baixarmos com um descensor autobloqueador, basta soltar a alavanca que trava o avanço.

Nas primeiras fases da aprendizagem é importante que o monitor vigie na base do poço a descida do aprendiz, controlando se for necessário a velocidade da descida, fazendo tensão na corda.

Os sacos devem ir presos no demiron do arnês com uma corda de 40cm. Nunca se deve levar os sacos nas costas porque obriga a uma posição forçada que nos esgota.

Há que prever o momento de aterrar para evitar um choque brusco contra o chão. As peças de subida devem estar sempre prontas para qualquer contratempo.

Espeleologia. Dependendo do uso que se vai dar utilizam-se cordas estáticas ou dinâmicas.

As cordas dinâmicas são mais elásticas para amortecer possíveis caídas. São usadas habitualmente em escalada e na espeleologia só se utiliza para certas situações, para quando se tem que escalar para explorar galerias suspensas.

Manobras de ascensão:

Não se deve perder energias inutilmente enquanto se sobe um poço difícil, ao princípio há uma grande tendência para fazer força com os braços. Coloca-se os dois aparelhos na corda: Punho e Croll. Esticamos a corda até nos podermos pendurar nela para começar a subir. Na base dos poços, para que o croll corra bem, coloca-se um peso na corda ou pede-se a alguém que estique.

Subimos o punho no máximo e ao mesmo tempo encolhemos a perna depois apoiamos o pé no pedal e içamo-nos. O Croll subirá uns centímetros e depois bloqueia quando descansamos, repetimos sempre o mesmo movimento até chegarmos onde queremos. Devemos proceder de modo a que as pernas realizem todo o trabalho, usando os braços só para manter o equilíbrio.

Passo de fraccionamento:

Os fraccionamentos servem para evitar que haja roços na corda provocado por uma parede.

As manobras para realizar este passo são as seguintes:

Na descida:

Quando nos estamos a aproximar de um fraccionamento:

· teremos que estar atentos para nos alojarmos enquanto podemos;

· descemos com o descensor até se poder;

· quando sentirmos que a força está a ser suportada pelo aloje;

· colocamos o punho acima do descensor para termos mais uma segurança;

· desmonta-se o descensor para depois montar na corda debaixo o mais perto possível do fraccionamento.

Estando este montado de novo e com o nó de segurança posto, tira-se o punho e depois o aloje (para tirar esta peça normalmente é preciso apoiar os pés na parede e fazer oposição) e estamos prontos para descer.

Na Subida:

Tem que se aproximar o punho o mais possível do fraccionamento sem encostar ao nó, depois deve-se alojar. Apoiamo-nos no pedal, tiramos a tensão do croll para que se possa colocar na corda de cima. Depois passamos o punho e damos umas pedaladas antes de tirarmos o aloje para prosseguir a subida.

A manobra pode ser feita ao contrário primeiro passa-se o punho e depois o croll. Quando subimos logo depois do fraccionamento, será preciso com uma mão ajudar a corda a correr no croll.

Quando o fraccionamento não está junto ao vertical, temos que realizar um pequeno pêndulo e ter cuidado com o croll porque trabalha mal nestas situações e podia sair da corda, dando-nos um bom susto.

Verticais no sentido subida- descida e o inverso:

Se estamos a subir e se somos obrigados a descer é só montar o descensor por debaixo do croll. Mas antes de descer é preciso tirar as peças de subida. Então apoiamo-nos no punho e tiramos o croll. Transferimos devagar o peso ao descensor e retiramos o punho da corda. Todas as peças devem estar prontas para a eventualidade de se ter que repetir a operação.

Se queremos subir enquanto descemos só temos que fazer o inverso. Teremos que fazer o nó de segurança no descensor, a seguir colocar o punho na corda e o pé no pedal, pondo-nos em pé para colocarmos o croll. Transferindo o peso para a última peça só temos que desmontar o descensor e subir.

A curiosidade e o respeito
pela natureza são o
alimento desta actividade.
Para se ter uma ideia, existem cavernas
que estão a ser mapeadas há décadas...
Por isso abuse,
mas respeite a natureza
porque ela merece...
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