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Gruta da Ervideira "Viagem ao centro da Terra" |
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| Origem das cavernas |
| A formação das cavernas |
| Perfil e paisagem cársica |
| Galerias e salas de uma gruta |
| As concreções |
| A gruta, um organismo vivo |
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Quando a água subterrânea se acumula em zonas constituídas por rochas calcárias, dissolve a calcite por acção do ácido carbónico dissolvido e origina formas de erosão complexas e espectaculares. Inicialmente, criam-se galerias subterrâneas, através das quais a água escorre e que podem atingir centenas de quilómetros de comprimento. Estas galerias podem alargar-se por abatimentos do tecto ou devido à descida do nível do solo, dando origem a grutas, que podem apresentar-se isoladas, mas que normalmente formam conjuntos de grande dimensão. Como a maior parte das cavidades do mundo se encontram em terrenos calcários vamos explicar brevemente algumas características destas rochas de origem sedimentar, formadas no fundo dos oceanos e lagos há uns milhões de anos atrás. Nem todos os calcários pertencem à mesma época visto que se formaram em diferentes períodos da história do globo terrestre. Os mais antigos têm milhões de anos, enquanto os mais jovens têm apenas alguns milhares. Não há um só tipo de rocha , existem muitas variedades e nem todas oferecem as mesmas qualidades para a formação de cavidades. A sua composição mineral depende em grande parte das suas origens, pois influem factores como o lugar e a profundidade onde se depositam ou o tipo de restos orgânicos que as compõem. A grande maioria dos calcários geram-se no próprio local onde se foram depositando, enquanto que os detríticos (conglomerados), formaram-se de maneira diferente, ao serem arrancados a outro tipo de calcários e movimentados pelo vento ou pelos rios até se estabelecerem noutro sítio diferente. Uma vez formados não são dissolvidos de maneira igual, nem com a mesma facilidade. A origem química, a situação geográfica, a antiguidade da rocha, o grau de fissuração, o clima, a pluviosidade e a altura são factores condicionantes da formação das cavernas, o que explica a grande variedade de formações existentes. Depois
de formada a gruta a sua actividade não acaba. Ao longo do tempo vão
surgindo muitas outras construções com um lento processo de formação
proporcionando à gruta uma beleza natural e extraordinária. |
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A
Gruta da Ervideira está situada num monte coberto e rodeado por vegetação
característica de uma zona cársica. À sua volta existem vários
cursos de água, alguns dos quais, na altura do estudo, não apresentavam
água à superfície pois esta encontrava-se no subsolo. No
entanto, era perfeitamente perceptível a existência de curso de água
naquele local. A paisagem cársica possui duas
características essenciais que são, as numerosas depressões
fechadas de diversos tamanhos e a existência de poucos afloramentos superficiais
de água, inclusive em zonas muito chuvosas. | ![]() |
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São
estas as estruturas que caracterizam o modelado cársico, e que podem ser
observadas no conjunto geológico a que pertence a gruta da Ervideira. |
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As salas formam-se com a queda de blocos das paredes e dos tectos, com a consequência da instabilidade da massa da rocha, transforma radicalmente as formas originais das condutas cársicas. Os lugares mais prováveis de sofrer desprendimento são as galerias maiores ou os pontos em que há vários cruzamentos das mesmas. Ás vezes formam-se enormes vazios subterrâneos nos lugares com importantes desprendimentos e grandes cursos activos capazes de evacuar ou dissolver todo o material que vai caindo do tecto. | ||||||||
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As
concreções são a parte mais vistosa e colorida do universo
subterrâneo, mas a sua abundância nem sempre é a mesma já
que depende de uma variedade de situações: a maturidade da cavidade,
a região onde se encontra e a altura ou o clima. |
As
concreções são a parte mais vistosa e colorida do universo
subterrâneo, mas a sua abundância nem sempre é a mesma já
que depende de uma variedade de situações: a maturidade da cavidade,
a região onde se encontra e a altura ou o clima. Enquanto que nos
países tropicais aparecem galerias ricamente ornamentadas, no carso de
alta montanha são escassas porque na superfície apenas existe cobertura
vegetal que produz gás carbónico, vital para o posterior desenvolvimento
destes "depósitos". | ![]() |
Se o composto mais frequente é o carbonato cálcico (calcite), podemos encontrar mais de cem variedades de minerais associados às grutas. A maior parte deles são curiosidades ecológicas. Só o gesso com 2,5%, aparece relativamente abundante, o resto (opaco, óxidos de ferro, nitratos, fosfatos,...)apenas representam uns 0,5% da proporção total. A coloração das concreções depende das dimensões de factores como a presença da matéria orgânica, a acção de determinadas bactérias, alguns depósitos na rede cristalina ou a presença de iões metálicos (hidróxidos e óxidos de ferro, magnésio, chumbo e cobre...). A acção individual ou conjuta destes agentes permite que os minerais incolores como a calcite e o aragonite adquira maravilhosas tonalidades. Dependendo da quantidade de água que existe, podem.se estabelecer seis classes de concreções: Goteio: estalactites, velas ou cortinas e estalagmites. Escorrimento: colunas, mantos, gours e bandeiras. Capilaridade: discos e excêntricas. Subaquáticos: mamelones, pisolitos. Condensação: argolas, bigodes. Águas artesianas:
geysermitas. | ||||
Estalactites
Estalagmites Colunas
Excêntricas Bandeiras
Mantos Gours Corais (agulhas) Discos
Pérolas Geysermítas | ||||
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Depois de explicar os diferentes processos que contribuem para a formação de uma gruta, é indispensável abordar a sua importância em diferentes campos. Do ponto de vista ecológico as grutas desempenham importantes funções em vários campos da ciência. Segundo uma perspectiva antropológica, pré-histórica e arqueológica, as grutas ou cavernas, permitem-nos aprofundar o conhecimento sobre a evolução humana, através dos vestígios deixados, das pinturas rupestres, dos sepultamentos, dos restos de fogueiras, etc. Estas são também importantes ao nível da paleontologia, pois conservam ossadas e vestígios fósseis de vários animais que existiram há milhões de anos. O seu ecossistema bastante diferenciado, dão às cavernas uma grande importância ambiental no que diz respeito ao desenvolvimento da fauna e flora cavernícola. Um dos principais habitantes das grutas são os morcegos, mamíferos voadores, que as utilizam como abrigo e local de reprodução.
Ao observarmos uma gruta esta parece-nos um lugar imóvel e morto, mas não.
Esta é uma espécie de organismo em contínua transformação
- nasce, cresce e morre. A época senil de uma cavidade acontece quando os grandes buracos gerados começam a desabar e a encher com sedimentos ou precipitação de calcite. O maciço montanhoso "devora" a cavidade nascida no seu interior. Factores que ocorrem posteriormente, podem fazer desaparecer parte da montanha e com ela a gruta que albergava. O
ciclo poderá começar outra vez se o perfil da terra for modificado,
levantando e cortando de novo a superfície terrestre. A água despenderá
de novos lugares onde começa de novo o seu lento e árduo trabalho,
procurando novamente o seu caminho. |
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